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Pregão do IPTU
Créditos para abatimento do imposto são vendidos pela internet
Renato Stockler/Folha Imagem
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O bancário Liao Yu Chieh
quer usar notas fiscais para reduzir os R$ 6.000 de imposto que
paga todo ano |
DÉBORA FANTINI
DA REPORTAGEM LOCAL
Muitos paulistanos desconhecem uma equação que pode deixar o IPTU
(Imposto Predial e Territorial Urbano) mais barato a partir de 2007.
Some despesas com a casa, como encanador, pintor e decorador. Adicione
gastos com cabeleireiro, escola, academia, revelação de fotos,
estacionamento de shopping center e outros serviços. Agora, subtraia
parte do total do valor do imposto do seu imóvel.
Essa matemática é possível porque a Prefeitura de São Paulo permite que
o contribuinte desconte do IPTU uma parte de outro tributo, o ISS
(Imposto Sobre Serviços).
Os créditos poderão ser usados no pagamento do IPTU de qualquer imóvel
da cidade de São Paulo e são válidos por até cinco anos.
Paralelo
A boa notícia para quem paga aluguel ou tem um gasto muito elevado com o
imposto é o surgimento de um "câmbio paralelo" dos créditos. Já existe
até um site especializado na transação (leia na pág. 2).
Assim, quem é isento do IPTU ou não tem imóvel -caso de inquilinos-
também pode usar a vantagem fiscal a seu favor, cedendo ou até mesmo
vendendo os créditos.
Locatários, por exemplo, podem passar seus créditos para o proprietário
em troca de descontos no aluguel.
No último dia 31 de outubro, venceu o prazo para acumulação de créditos
que gerarão desconto em 2007. Os donos dos créditos devem indicar os
imóveis que irão beneficiar no site
www.prefeitura.sp.gov.br/nfe até 30/11.
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PREGÃO DO IPTU
Paralelo opera com o aval da prefeitura
Bolsa tem 5.000 usuários e já fechou 1.500 negócios; créditos
registrados para abatimento somam R$ 16,2 mi
DA REPORTAGEM LOCAL
O bancário Liao Yu Chieh, 30, percebeu que poderia "aliviar" suas
despesas com IPTU ao ler, no final de setembro, uma notícia na internet.
"Melhor foi descobrir que já possuía cerca de R$ 200 em créditos",
conta.
Como a quantia é irrisória diante dos quase R$ 6.000 que Chieh paga de
IPTU todo ano -referentes a dois apartamentos, uma casa e uma vaga de
garagem -, ele foi buscar créditos em um pregão virtual.
Na Bolsa de IPTU (www.bolsadeiptu.com.br),
é possível comprar créditos com deságio médio de 16%. O cadastro é
gratuito.
"Não estamos favorecendo a especulação. O cliente não pode comprar e
vender créditos ao mesmo tempo", explica Rodrigo Monzoni, 30, um dos
fundadores da bolsa, que entrou em operação na penúltima semana de
outubro.
A bolsa articula as melhores propostas e acompanha a transferência dos
valores. Até a última sexta-feira, havia 5.000 usuários e 1.500
transações tinham sido fechadas.
A prefeitura não vê impedimento no negócio. "A lei que instituiu o
benefício prevê que os créditos possam ser negociados", afirma George
Tormin, 46, secretário-adjunto de finanças.
Segundo ele, o objetivo é incentivar a emissão de notas e o recolhimento
do ISS -uma estratégia de combate à sonegação, já que, para obter o
abatimento, o contribuinte deve pedir a nota fiscal eletrônica toda vez
que pagar por um serviço.
A emissão da nota é obrigatória desde junho para empresas que têm
faturamento anual superior a R$ 240 mil. Basta que o cliente informe seu
CPF ou CNPJ para que sejam incluídos no site da prefeitura créditos
equivalentes a 30% do valor do ISS que a empresa deve pagar.
Barrados
Imóveis devedores, com taxa de lixo e outros tributos não-quitados, por
exemplo, não podem receber o benefício. A restrição aplica-se também a
imóveis que não foram recadastrados até o dia 31 de outubro.
Pessoas que tenham dívidas pendentes com a prefeitura, como multas de
trânsito, também perdem os créditos.
Se não houver nenhuma dessas restrições, o abatimento pode chegar ao
limite de 50% no IPTU de cada imóvel.
Mas a prefeitura reconhece que, neste ano, o teto dificilmente será
alcançado.
"Foram só quatro meses de acumulação, e só agora a divulgação começa a
ser maior", justifica Tormin. Até o dia 31 de outubro, foram gerados R$
16,2 milhões de créditos, menos de 1% da arrecadação da prefeitura com
IPTU em 2006, que foi de R$ 2,7 bilhões.
Em 2007, reajustes de até 10% no imposto de imóveis de regiões centrais
e de áreas nobres vão gerar um acréscimo de R$ 62 milhões na receita do
município.
Há um projeto de lei para gerar créditos em nome de condomínios, grandes
usuários de serviços. Hoje ela é restrita a pessoas físicas e jurídicas.
"A forma de aproveitamento dos créditos deve ficar a cargo dos
condôminos", avisa o secretário-adjunto. (DÉBORA
FANTINI) |