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Bolsa de IPTU negociará créditos em SP
Sistema eletrônico vai intermediar negociação de valores que
contribuintes poderão descontar a partir do ano que vem
Com aval da prefeitura paulistana, site criado por 2 sócios ficará com
uma porcentagem de até 4% do valor negociado na Bolsa
Leonardo wen/Folha Imagem
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Antonio Mouallem (à esq.)
e Rodrigo Monzoni, criadores do site |
ADRIANA MATTOS
DA REPORTAGEM LOCAL
Entrou em operação nesta semana uma nova Bolsa de negociações criada por
dois amigos e jovens empreendedores de São Paulo: Antonio Mouallem e
Rodrigo Monzoni, ambos com 30 anos. A chamada Bolsa de IPTU, idéia
surgida em julho, durante uma conversa casual entre os dois, tem como
objetivo arbitrar sobre o processo de compra e venda de créditos sobre
serviços que podem ser descontados do valor do IPTU a partir de 2007.
O negócio surgiu no rastro de uma mudança implementada pela Prefeitura
de São Paulo neste ano. Desde 7 de junho, empresas da área de serviços,
que pagam o ISS, são obrigadas a emitir nota fiscal eletrônica em cada
operação realizada. A intenção é combater a sonegação. Isso era feito
manualmente. Até 1º de novembro, todas as companhias do setor terão de
se adaptar ao novo formato.
A questão é que, com essa mudança, a prefeitura permite que o
contribuinte use a seu favor parte do valor pago em ISS pela empresa de
serviço.
Por exemplo: se o salão de cabeleireiro cobra R$ 100 por um corte, a
empresa tem de pagar à prefeitura 5% de ISS sobre o valor, ou seja, R$
5. O cliente pede a nota ao salão em seu nome, informando o CPF. Dessa
forma, ele passa a ser incluído no sistema da prefeitura como tendo um
crédito equivalente a 30% sobre os R$ 5 de ISS pagos pela empresa. Para
ter esse crédito, é preciso estar cadastrado no site da prefeitura. O
crédito (de R$ 1,50) será abatido do valor do próximo IPTU a ser pago
pelo cliente. O limite de desconto é de até 50% do IPTU.
A Bolsa vai mediar a negociação desse crédito no mercado -atividade
considerada legal pela prefeitura, que foi consultada sobre a questão e
procurada ontem pela Folha. "O cliente só precisa se cadastrar no nosso
site, abrir uma conta virtual e somar créditos no ano. Quando ele
quiser, pode comprar ou vender créditos, mas não pode fazer as duas
operações ao mesmo tempo. Não estamos favorecendo a especulação.
Queremos transparência na mediação", diz Mouallem.
Aquele que quiser vender créditos os oferece no site por um valor "X", e
aquele que está interessado em comprá-los buscará a melhor oferta para o
bolso. Quem "procura" a melhor proposta para as partes é a Bolsa, que
ainda acompanhará a transferência dos valores. A vantagem do primeiro é
óbvia: ele vai vender créditos (provavelmente aqueles que sobraram
depois de abater do seu IPTU) e fazer caixa com isso. No caso do
comprador, a aquisição se dará com deságio. Portanto, também com
vantagem financeira. E poderá usar esse crédito para o desconto no IPTU
normalmente, diz Monzoni.
Os donos da idéia -surgida durante palestra sobre a nova nota fiscal
eletrônica- devem cobrar de 2% a 4% de taxa sobre o valor negociado na
Bolsa. A cobrança será feita inicialmente do comprador. "Teremos poucos
vendedores agora, e mais compradores. Depois vamos ajustar isso e cobrar
das duas pontas", diz Mouallem.
Os dois dizem se preparar para uma corrida dos concorrentes. Apontam
como motivos o fato de estarem em um segmento novo, com baixo
investimento (a empresa tem oito funcionários) e expectativa de retorno
rápido. Eles esperam que o mercado de créditos gire R$ 120 milhões em
2007. "A vantagem é que começamos na frente", diz Monzoni.
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